الاثنين، 5 يوليو 2010

BRASÍLIA , PROFECIA DE D.BOSCO, REALIZAÇÃO DE JK

Freddy Charlson, da equipe do Correio – 1960 – 21.04, 13 e 27.09
A INAUGURAÇÃO
Nascimento da cidade, a realização da profecia de Dom Bosco e do sonho de Juscelino Kubitschek. Gente de todo o país lotou a Praça dos Três Poderes. Pessoas que viram o desfile dos candangos, jatos cruzando o céu, a banda dos Fuzileiros Navais tocando o Hino Nacional e o presidente JK chorando. O primeiro ato executivo assinado na capital foi o da criação da Universidade de Brasília (UnB), inaugurada por Darcy Ribeiro dois anos depois.
A cidade, porém, ardeu em sua primeira seca com sete incêndios. A maior tragédia foi na Cidade Livre, em 13 de setembro. O fogo consumiu 100 construções de madeira, deixou 500 desabrigados e feriu 50 pessoas. Mas teve fogo também no aeroporto, em 27 de setembro. Um Caravelle da Varig, vindo de Porto Alegre, teve o trem de pouso avariado ao tocar a pista. O choque rompeu os tanques de combustível, que pegaram fogo. Ninguém se feriu gravemente. Um dos passageiros era Leonel Brizola.
1961
29 de julho e 18 de agosto
VISITAS ILUSTRES
O povo se orgulhava do prestígio alcançado pela cidade em tão pouco tempo. Em apenas 19 dias, dois dos maiores nomes do século visitaram Brasília. Milhares de pessoas foram ao aeroporto receber o astronauta russo Yuri Gagarin em 29 de julho de 1961. Gagarin ficou 1h15 na cidade. Voltou quatro dias depois e ficou no Brasília Palace, que, no dia 18 de agosto, abrigaria Ernesto Che Guevara, o revolucionário ministro das Indústrias e Comércio de Cuba. Em 16 de setembro, houve o roubo da réplica da estátua de Rômulo e Remo amamentados pela loba presenteada pela prefeitura de Roma. A Loba do Buriti foi encontrada no cerrado anos depois e restaurada.
1962 14 de dezembro
TRAGÉDIA NO AEROPORTO
Na véspera de Natal, a tragédia. Um avião da Varig bateu em árvores perto do aeroporto. Os passageiros foram salvos graças ao comandante Amauri França, que morreu ao fazer uma manobra durante o pouso de emergência. O acidente marcou 1962 como um dos anos mais violentos. Ano da morte de um marginal, na Cidade Livre, pelos colegas, por ter entregue o esconderijo à polícia. Depois de atirar no bandido, o bando degolou-o e arrancou-lhe a cabeça. Ainda quebrou o crânio do comparsa a pedradas. Durante o ano a Central de Investigações apreendeu seis toneladas de maconha. E a Delegacia da Cidade Livre registrou mais de 1.800 ocorrências. Em uma época em que a cidade começava a estabilizar-se.
1963
5 de dezembro
UM CRIME NO SENADO
Um crime em pleno Senado Federal abalou Brasília e o país. Pai de Fernando Collor — com dez anos na época e sem pensar em ser presidente da República —, o senador alagoano Arnon de Mello assassinou, com um tiro no peito, o senador acreano José Kairala, em plena tribuna. Mello disparou três tiros contra seu inimigo político, o senador Silvestre Péricles de Góis Monteiro, a 5 metros de distância. Errou todos. O mais trágico da história é que Kairala, suplente de José Guiomard, estava em seu último dia de mandato e devolveria o cargo naquele dia. Mesmo com o flagrante, nada aconteceu a Arnon de Mello.
1964
2 de abril
O GOLPE MILITAR
De repente, o presidente João Goulart desaparecia para local ignorado. No Rio Grande do Sul, o governador Hildo Meneghetti liderava tropas no interior do estado, contrárias ao governo de Jango.
Enquanto isso, em Brasília, o senador Ranieri Mazzilli — conhecido por estar no lugar certo, mas no momento errado — assumia a Presidência da República com apoio das Forças Armadas. Assumiu prometendo que nenhum deputado seria preso e exigindo a imediata normalização das transmissões telefônicas no país e em Brasília. A cidade foi protegida por cinco mil soldados do Exército (infantaria, artilharia e cavalaria mecanizada), que chegaram de Minas Gerais e Mato Grosso para reprimir abusos contra a ordem pública. No dia seguinte, João Goulart e sua família chegariam a Montevidéu, no Uruguai, onde o ex-presidente ficaria exilado.
1965
de 15 a 22 de novembro

I SEMANA DO CINEMA BRASILEIRO
O embrião do atual Festival de Cinema de Brasília do Cinema Brasileiro lotou o Cine Brasília em 1965. A Hora e a Vez de Augusto Matraga, de Roberto Santos (considerado o melhor filme da Semana organizada pelo professor e ensaísta Paulo Emílio Salles Gomes), dividiu a tela com outros títulos como Menino de Engenho, de Walter Lima Júnior. Era o início do maior acontecimento cultural da cidade, até hoje.
1966
de 16 a 21 de abril
Nascem Beirute e Torre de TV
Os libaneses Youssef Sarkis Kaawai e Youssef Sarkis Maiaroovi pagaram US$ 45 mil pelo bar do Abraão, na 109 Sul, e mudaram o nome do lugar para Beirute, a capital do país natal. Estava fundado o bar mais folclórico de Brasília, a ponto de a boemia alimentada por ele atravessar gerações. O Beirute logo foi vendido para José Jorge Cauhy e depois para os cearenses Bartô e Chico. Mas continua o reduto da inteligência brasiliense.
No seu 6º aniversário, a cidade recebeu a Torre de TV, presentão de 218m de altura (73 andares) e 380 toneladas, que virou o principal ponto de encontro nos fins de semana. E com direito a feira de artesanato e o mirante de onde se tem a mais abrangente vista panorâmica do Plano Piloto.
1967
22 de outubro
SURGE O GILBERTO SALOMÃO
O mais tradicional point da cidade foi sucesso instantâneo. Em 22 de outubro, a inauguração da boate Kako, de Roberto Levy, marcou o início do Centro comercial Gilberto Salomão, no Lago Sul. Na época, havia a boate Shalako, o bar Drugstore e o Cine Espacial, que depois se transformou na boate Zoom. Da formação original do Gilberto, só o Bier Fass ainda existe. O tradicional restaurante Gaf nasceu em 1974.


1968

CENAS DE TRISTE MEMÓRIA


A invasão da UnB pela polícia, a prisão de estudantes, a euforia com a chegada dos tricampeões à cidade. Truculência e ufanismo em tempos negros para o país

29 de agosto e 5 de novembro
Em agosto, a Universidade de Brasília (UnB) foi invadida por policiais com cassetetes e revólveres, usados contra estudantes. Um dos disparos dados pela polícia atingiu o estudante Waldemar Alves da Silva Filho. Durante a operação, quem estava na UnB foi retirado do campus com as mãos entrelaçadas na nuca. Ninguém soube o número de pessoas detidas. Sabia-se apenas que, entre eles, estava o líder estudantil Honestino Guimarães. Dois meses depois, a rainha Elizabeth II visitou Brasília.






1969
1º de janeiro
CHEGAM MAIS CARIOCAS
O presidente Costa e Silva assinou decreto da transferência do núcleo central de todos os ministérios, em duas etapas, para a cidade, criando o Grupo Executivo de Complementação da Mudança de Órgãos da Administração Federal — Gemud. Assim, quatro mil servidores foram transferidos do Rio de Janeiro para a nova capital.
1970
23 de junho
RECEPÇÃO AOS TRICAMPEÕES
A Praça dos Três Poderes, o gramado do Congresso e as vias próximas estavam abarrotadas. ‘‘A maior massa humana já sna manhã seguinte — queria ver de perto o time tricampeão no México. O percurso do aeroporto ao Palácio do Planalto num caminhão do Corpo de Bombeiros foiacompanhado por cem mil pessoas.
1971
27 de março e 25 de novembro
CRIAÇÃO DA CEILÂNDIA E DO CNB
Nos anos 60, Brasília era o principal foco de migração do país. Em 1970, 100 mil pessoas viviam em condições sub-humanas, principalmente nas proximidades da Cidade Livre. Em 27 de março, os invasores do IAPI começam a ser removidos para o local onde surgiria Ceilândia.

A solução para resolver, na época, o problema das invasões saiu no governo de Hélio Prates de Oliveira. Oito meses depois, festa com a inauguração do Conjunto Nacional, no coração da cidade.
1972
11 de dezembro
INAUGURAÇÃO DO CEASA
É inaugurada a Central de Abastecimento de Brasília — na época, Cenabra, hoje, Ceasa — depois de sua construção ter começado em 23 de julho do mesmo ano. A Central surgiu — com um salão e quatro galpões para os comerciantes — para comprar e vender produtos horti-fruti-granjeiros na região e fortalecer esse segmento econômico no Distrito Federal. Entre as novidades, frigorífico para 730 toneladas, com 18 câmaras de conservação e 4.400 m². Capacidade suficiente para abastecer a população do DF durante seis dias consecutivos.
1973
O ASSASSINATO DE ANA LIDIA BRAGA
13 de setembro de 1973, quando foi encontrado no campus da Universidade de Brasília o corpo da estudante Ana Lídia Braga, de 7 anos. O crime começou no Colégio Madre Carmem Salles (L2 Norte), às 14h, quando um homem ‘‘de cor clara, alto e de calça verde-oliva’’, segundo o testemunho de um jardineiro, abordou a criança, que seguia para a sua sala de aula. Ana Lídia foi encontrada com sinais de estrangulamento e hematomas. O crime, sem solução, prescreveu por falta de provas.
1974
4 de fevereiro
AUTÓDROMO É INAUGURADO
Em uma prova extra da Fórmula 1, com 40 voltas e que contou com a presença dos principais pilotos da categoria máxima do automobilismo mundial, foi inaugurada a pista do autódromo, hoje conhecido como Nelson Piquet. Assim, com arquibancadas lotadas, os moradores da cidade prestigiaram o Grande Prêmio Presidente Médici — que, aliás, estava na tribuna. A vitória, para delírio da torcida, foi do brasileiro Emerson Fittipaldi, pilotando uma McLaren. Seu irmão, Wilson, chegou em segundo lugar, pilotando uma Brabham.
30 de novembro
ARRASTÃO GERAL
Em uma operação combinada, as Forças Armadas, Polícia Civil, Polícia Militar, Juizado de Menores e Detran realizaram um verdadeiro arrastão no Plano Piloto, Taguatinga e Ceilândia, na madrugada do último dia de novembro. A operação, que começou na Rodoviária, atingiu as principais vias de acesso a Taguatinga foram bloqueadas e bares, boates, prostíbulos e casas de jogos foram fiscalizados. Pelo menos 700 pessoas — entre elas, cem prostitutas — foram detidas durante a operação que também prendeu dezenas de criminosos, viciados em drogas, fugitivos da Justiça e menores de rua.
1976
22 de agosto
VELÓRIO DE JK
Um acidente automobilístico deixou Brasília órfã. Em 22 de agosto de 1976, morreu o idealizador da cidade, o presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira. O corpo, preso entre as ferragens do Opala no qual viajava com seu motorista Geraldo Ribeiro, ficou irreconhecível. O acidente foi provocado por um choque, frontal, com a carreta dirigida pelo motorista Ladislau Borges, no Km 165 da Rodovia Presidente Dutra. O enterrou foi no cemitério Campo da Esperança. Moradores da cidade compareceram em massa para prestar a última homenagem ao criador de Brasília.
1977
30 de agosto
TRAGÉDIA NO ZÔO
Na tarde do sábado, 30 de agosto de 1977, o sargento do exército Sílvio Hollembach passeava pelo zoológico quando viu Adilson Florêncio da Costa, 13 anos, cair no tanque das ariranhas. Ele se jogou para salvar Adilson, foi atacado e teve seu corpo mutilado pelos animais. Morreu no Hospital de Base alguns dias depois, de infecção generalizada. Mais tarde, o zoológico da cidade tem o nome dele.
1978
5 de fevereiro, 5 de agosto e 12 de outubro
O PACOTÃO JÁ LIBEROU...
Reuniu jornalistas que queriam ressuscitar a festa popular de rua com marchinhas. ‘‘Parecia um bando de cem malucos na W3. Não tinha banda, não tinha nada’’, lembra Moacir de Oliveira, um dos fundadores do bloco. A abertura política em 1979 fez o bloco apimentar sua vocação. A música Aiatolá, que alfinetava Geisel e Figueiredo, foi entoada por uma multidão, engrossada ano a ano. O bloco ainda mostra irreverência. Seis meses depois da estréia do Pacotão, o vento ajudava a alastrar o fogo no descampado próximo ao Lago Paranoá, onde foi construído o primeiro hotel. Inaugurado por JK em 1957, o Brasília Palace sucumbiu numa madrugada de sábado. Ninguém ficou ferido pelo fogo que destruiu o 3º andar. Os hóspedes se salvaram saltando pela janela, com cordas de lençóis. Nunca mais o hotel se reabilitou para a função original. Suas ruínas concentram agora praticantes de esportes radicais como o rapel. No Dia da Criança do marcante ano de 1978, surgia, com seus 420 hectares, o Parque da Cidade — com o polêmico nome de Rogério Pithon Farias (morto em acidente de carro na época), filho do então governador Elmo Serejo Farias. Mas no parque havia uma atração especial: a primeira piscina com ondas da América Latina, hoje fechada à espera de obras.
1979
6 de março
TEATRO NACIONAL INAUGURADO
Atendendo às reivindicações dos moradores de Brasília — que não acreditavam que a cidade tivesse um palco à sua altura, e depois de 19 anos de construção, o Teatro Nacional de Brasília foi inaugurado no dia 6 de março de 1979. O presidente Ernesto Geisel participou da solenidade. Na abertura, houve espetáculo apenas na sala Villa-Lobos, onde se apresentou a Orquestra Sinfônica da Escola de Música, regida por Cláudio Santoro. As salas Martins Penna e Alberto Nepomuceno foram inauguradas nos dias 7 e 8, respectivamente.
1980
1º de setembro
VISITA DO PAPA JOÃO PAULO II
Preces de milhares de brasilienses foram ouvidas em 1º de julho de 1980. Com um beijo no chão, o Papa João Paulo II iniciou sua visita a Brasília. O sumo pontífice foi recebido pelo presidente da República, na época, João Figueiredo, na Base Aérea de Brasília.

Depois de desfilar no Papamóvel, João de Deus celebrou, três horas após a sua chegada, uma missa para 800 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios.
1981
12 de setembro
CHEGAM OS RESTOS MORTAIS DE JK
Às 16h10, o cortejo com os restos mortais de JK saiu da rampa do Congresso Nacional em direção ao memorial que estava sendo inaugurado. No caminho, moradores atiravam papel picado.
Enquanto 1.482 pessoas assinavam o livro do registro de presença, e outras quatro mil participavam do evento, o padre Roque, amigo de JK, celebrava a missa. Dona Sarah, a viúva, chorava. ‘‘Sinto-me emocionada com este espetáculo de solidariedade humana’’, disse sobre o ex-marido que recebia honras de chefe de estado.
Às 18h, ao som de Peixe-Vivo e de uma salva de 21 tiros de canhão, o corpo de JK foi levado para a câmara mortuária. Perto do local da primeira missa no DF, o Memorial JK foi construído para homenagear o fundador da cidade. Tem a forma de uma pirâmide com base retangular, revestida em mármore branco, e com pedestal de 28m de altura, onde fica a estátua de JK que saúda Brasília. O memorial abriga a câmara mortuária, os objetos pessoais e a biblioteca do ex-presidente. Em 1986, o prédio foi tombado pelo GDF.
1982
4 de fevereiro
GREVE DE FOME DE DAMIÃO














































O funcionário público Damião Galdino da Silva suspendeu a greve de fome que fazia em protesto contra o não envio a Roma do jumento Jericar, um presente ao papa João Paulo II, quando da visita dele a Brasília, dois anos antes. Damião até acorrentou-se na Torre de TV. A greve acabou depois da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) prometer mandar Jericar ao Vaticano.
1983
18 de dezembro
NEWTON CRUZ AGRIDE REPÓRTER
Quando a abertura democrática consolidava-se de forma irreversível, o autoritarismo de um general do Exército, o comandante militar do Planalto, general Newton Cruz, tentou demonstrar o contrário. Ao anunciar o fim das medidas de emergência, Newton Cruz sentiu-se irritado com as perguntas de Honório Dantas, repórter da Rádio Planalto e deu-lhe uma chave de braço, obrigando-o a pedir desculpas por ter falado que, como jornalista, sentia-se honrado em ter sido empurrado pelo general Newton Cruz. Tudo isso no dia 18 de dezembro de 1983.
1984
6 de agosto e 12 de novembro
O OURO DE JOAQUIM CRUZ
Aos 21 anos, o brasiliense Joaquim Cruz conquistava a medalha de ouro na prova dos 800 metros na Olimpíada de Los Angeles. Cruz correu a distância em 1min43seg00, novo recorde olímpico. Foi a única medalha de ouro do país na Olimpíada. Em uma humilde casa, em Taguatinga, a família do atleta foi ao delírio. ‘‘Meu filho mereceu. Ele trabalhou muito para isso’’, disse a mãe de Joaquim, Lídia da Cruz, assim que o filho cruzou a linha de chegada. Meses depois da glória, a indignação. Brasília ficou indignada ao saber da morte do jornalista Mário Eugênio, conhecido como o Gogó das Sete, da Rádio Planalto, em 12 de novembro de 1984. O jornalista foi morto com uma facada e três tiros de escopeta calibre 12. O motivo foi a série de denúncias que fazia contra o Esquadrão da Morte, grupo de policiais que praticavam crimes. Foram condenados à prisão pelo crime o sargento Antônio Nazareno Mortari, cabo Divino do Couto e o agente Iranildo José de Matos.
1985
21 de abril
MORTE DE TANCREDO NEVES
Depois da morte de Juscelino Kubitschek, Brasília sentiu novamente, em 21 de abril de 1985, a perda de um presidente da República. Internado havia 39 dias, Tancredo Neves não resistiu a uma infecção hospitalar. O mineiro de 75 anos seria o primeiro presidente civil após a revolução militar de 1964. Em seu lugar, assumiu o vice-presidente, José Sarney, que governou o país durante cinco anos. Dezenas de milhares de pessoas compareceram ao velório de Tancredo Neves no Palácio do Planalto.
1986
28 de novembro
BADERNAÇO NA RDOVIÁRIA
No dia 28 de novembro de 1986, ninguém imaginaria que uma manifestação pacífica, convocada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central Geral dos Trabalhadores (CGT) e pelos partidos PT, PDT e PCB poderia provocar o maior distúrbio da história de Brasília: o Badernaço. O tumulto começou quando a polícia tentou dispersar os manifestantes que se encontravam na Rodoviária. Várias lojas foram saqueadas (entre elas o extinto posto da Cobal, que em seguida foi queimado), carros da polícia foram queimados ou danificados e 11 prédios públicos, depredados. Oficialmente, após a confusão, a polícia prendeu 34 pessoas.
1987
7 de dezembro
TOMBAMENTO HISTÓRICO
Ainda aos 27 anos, Brasília passou a figurar ao lado de cidades milenares como Jerusalém e Cairo, na condição de Patrimônio Cultural da Humanidade. A designação dada pela Unesco se destina apenas a bens de valor universal excepcional, como a Muralha da China. E Brasília. O tombamento assegurou que as premissas urbanísticas do Plano Piloto não podem ser desfiguradas, nem pela especulação imobiliária.
1988
20 de junho
Tumulto no show da Legião
Seria a segunda apresentação da Legião Urbana em Brasília depois de sua mudança para o Rio de Janeiro. Foi a última. Renato Russo cantou algumas músicas, foi agarrado pelo pescoço por um fã lunático e tentou apartar brigas na base do discurso. Não deu certo. Irado, o vocalista da maior banda de rock nascida na cidade discutiu com parte da platéia e xingou:‘‘cambada de fascistas!’’. Resultado: o show terminou mais cedo. O tumulto não. O serviço médico local registrou o atendimento de 400 pessoas, 14 ônibus foram apedrejados e as 50 mil pessoas que compareceram ao estádio Mané Garrincha saíram frustradas.
1989
25 de outubro
CRIAÇÃO DE SAMAMBAIA
O governador Joaquim Roriz assinou um decreto e criou o maior assentamento de sua política de habitação que mudou a geografia do Distrito Federal. Samambaia já veio ao mundo com 15 mil habitantes. Hoje são mais de 200 mil. A cidade é um marco da época em que novos bairros pipocavam como relâmpagos. Roriz recebeu acusações de promover o inchaço populacional do DF e estimular a imigração, mas isso não atrapalhou seus planos políticos. Depois de Samambaia, surgiram cidades como Recanto das Emas e Santa Maria, por exemplo.
1990
3 de outubro
Eleição para governador
Só aos 30 anos de idade, Brasília escolheu por conta própria seu governador. E alguém que ocupara o cargo como nomeado oficial. Joaquim Roriz fez poeira para Carlos Saraiva, Maurício Corrêa e Elmo Serejo, vencendo no 1º turno com 361.443 votos, mais que o dobro dos 132.254 de Saraiva, 2º colocado. Foram eleitos os 24 primeiros deputados distritais, oito deputados federais e o senador Valmir Campelo.
1991
1º de janeiro e 21 de abril
Os primeiros eleitos
Brasília alcançou autonomia política ao empossar seu 1º governador eleito pelo voto popular: Joaquim Roriz. A posse, na Câmara Legislativa, foi presidida pelo deputado distrital José Ornellas, escolhido por ser o mais velho dos distritais. Foram empossados os 24 deputados. E no dia do 31º aniversário da cidade, Brasília ganhou mais uma festa de convergência comunitária e evento esportivo de nível internacional, com 1.110 corredores de 18 estados e 12 países disputando a 1ªMaratona Brasília. Na categoria feminina, dobradinha brasiliense: Carmem de Oliveira e Solange Cardoso. Entre os homens, venceu o mineiro João Batista Pacau.
1992
29 de setembro
OS CARAS-PINTADAS NA RUA
A juventude de Brasília deu uma rara demonstração de civismo, cidadania e rebeldia. Ao lado de milhares de jovens de todo o país, eles ganharam as ruas e a Esplanada dos Ministérios, lutanto a favor do impeachment do presidente Fernando Collor de Mello. Com tinta guache no rosto, como índios pintados para a guerra, fizeram o chão tremer em frente ao Congresso Nacional.
1993
12 de agosto
Morte de Marco Antônio
As brigas nas quadras deixaram sua mais profunda cicatriz na memória de Brasília no dia 12 de agosto de 1993 quando uma gangue de dez lutadores de artes marciais espancou até a morte o estudante Marco Antônio Velasco. Velasco morreu no Hospital de Base com traumatismo craniano, braços e costelas fraturados, rompimento de baço e com o rosto totalmente desfigurado. A violência do crime chocou, à época, o então presidente Itamar Franco, que exigiu a prisão dos agressores.
1994
14 de agosto
Nasce a Feira do Paraguai
O início de um problema. No dia 14 de agosto de 1994, mais de 350 camelôs foram transferidos para o estacionamento do estádio Mané Garrincha, dando início ao que seria, no futuro, o maior shopping a céu aberto de Brasília: a Feira do Paraguai. O que parecia, na época, uma solução para o sonho de consumo de produtos importados, tornou-se uma das grandes dores de cabeça do governo, sem solução até hoje. Anos depois, à custa de muita conversa e alguma discussão, os feirantes, que já eram mais de 1.500, foram transferidos para a área do Ceasa, no SIA, onde estão até hoje.
1995
2 de junho
Guerra na Estrutural
A invasão da Estrutural se transformou em uma verdadeira praça de guerra. Em uma manifestação contra a derrubada dos barracos, aproximadamente 500 moradores interromperam o trânsito entre o Plano Piloto e Taguatinga. Os manifestantes utilizaram pneus queimados e chegaram a encurralar 40 soldados da Companhia de Vigilância do Solo.
1996
15 de setembro
Paz no trânsito
Brasília deu um basta à violência no trânsito. Depois de uma campanha contra os crimes cometidos ao volante, os cidadãos foram às ruas, a pé, mostrar a insatisfação provocada pelos veículos dirigidos por irresponsáveis, em 15 de novembro. Com faixas e cartazes, a Caminhada da Paz levou para o Eixão Sul 25 mil pessoas, segundo a PM. Para enfeitar a passeata, que começou na 106 sul, 10 mil balões, azuis e brancos, mesmas cores usadas pelos participantes, subiram aos céus.
1997
21 de abril
Morte de Galdino
Madrugada do 37º aniversário de Brasília. A festa não aconteceu. Culpa de uma tragédia que abalou o país e envergonhou os brasilienses. O índio Galdino Jesus dos Santos, 44 anos, dormia em um ponto de ônibus na 703/704 Norte, quando cinco jovens resolveram ‘‘brincar’’. Compraram 2 litros de álcool e atearam fogo em quem julgavam ser um mendigo. Com 90% do corpo queimado, o pataxó morreu no dia seguinte. Antônio Novely Vilanova, Tomás de Almeida, Eron Chaves de Oliveira e Max Rogério Alves foram para o Núcleo de Custódia de Brasília. G.A.N.J., 16, para o Caje (Centro de Atendimento Juvenil Especializado).
1998
20 de dezembro
Gama, o campeão Invasão de campo, volta olímpica, jogadores erguidos ao alto, carnaval no fim do ano. Assim, a torcida comemorou a conquista da Série B do Campeonato Brasileiro de Futebol, pela equipe do Gama. O jogo que sacramentou a euforia dos 50 mil brasilienses que foram ao Estádio Mané Garrincha, além de outros milhares que torceram em casa, foi a vitória de 3 x 0 sobre o Londrina (PR). Depois de 12 anos — a última participação candanga tinha sido com o Sobradinho, em 1986 — um time da cidade voltava à elite do futebol brasileiro.
1999
2 de dezembro
Crime da Novacap
Quinta-feira. Servidores da Novacap pressionam a direção e o GDF a manterem o acordo coletivo. Os portões são trancados. Soldados do 4º Batalhão de Polícia Militar (BPM) e do Batalhão de Operações Especiais (Bope) acompanham. Joaquim Roriz, o governador, ordena a abertura dos portões. Quando o comandante do 4º BPM, tenente-coronel Paulo César Thimótheo, começa a abri-los, a tropa de choque entra em ação. Com golpes de cassetetes, coronhadas, Jatos d’água e balas de borracha e chumbo, o Bope invade a empresa.
José Ferreira da Silva, 33, jardineiro, morre com 17 balins de chumbo. Outros dois colegas perdem o olho esquerdo e 30 são feridos. Um tenente foi indiciado.
2000
25 de março
Febre amarela no DF
FEBRE AMARELA NO DF

Morre, vítima da febre amarela, o lavrador Rodrigo da Silva, 21 anos, que contraiu a doença onde morava, Núcleo Rural Rajadinha, entre o Paranoá e Planaltina. A Secretaria de Saúde confirma o 1º caso de transmissão do vírus no DF. Sobem para 30 os casos de febre amarela na região — dez pessoas morreram. Vinte e sete foram contaminados em Goiás, um em Tocantins, um em Mato Grosso e um em Rajadinha, a 30 km do centro de Brasília. O caso assusta. Especialistas tentam impedir que a febre amarela silvestre se transforme em urbana, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Só neste ano, em uma megacampanha, foram aplicadas 1,4 milhão de doses da vacina no DF.

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